Vendas de imóveis despencam na Baixada Santista, enquanto mercado de aluguel dispara
- 24 de jun. de 2025
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Atualizado: 25 de jun. de 2025

Com retração de quase 10% em maio e mais de 55% no acumulado do ano, setor imobiliário sente os efeitos do crédito restrito e dos altos preços; locações crescem quase 46% no mesmo período
As vendas de imóveis na Baixada Santista seguem em forte queda. De acordo com dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), o número de unidades vendidas em maio caiu 9,97% em comparação com abril. No acumulado de 2025, a retração já ultrapassa 55%, refletindo o impacto de fatores como dificuldade de financiamento, alta nos preços e o cauteloso comportamento do consumidor.
O perfil dos imóveis mais vendidos ainda concentra-se em apartamentos com dois dormitórios, até 100 metros quadrados de área útil, com valor médio de R$ 300 mil. As vendas foram distribuídas entre regiões nobres (39,7%), áreas periféricas (38%) e centro (22,3%). Já nas formas de pagamento, 37,5% das negociações foram à vista, seguidas por financiamentos com bancos privados (26,3%), Caixa Econômica Federal (13,8%) e compras diretas com o proprietário (20%).
"O financiamento tem se tornado um obstáculo, tanto pelas taxas quanto pela rigidez na análise de crédito", aponta o relatório do Creci-SP.
Aluguel em alta e mudanças no perfil dos inquilinos
Em contrapartida, o mercado de locação vive um momento de expansão. Apenas no mês de maio, houve aumento de 45,85% nos contratos de aluguel, impulsionado por investimentos em turismo, infraestrutura e logística que têm movimentado o mercado de trabalho e atraído novos moradores.
As casas lideram as locações (51%), seguidas de perto pelos apartamentos (49%), mantendo o padrão de dois dormitórios e área útil de até 100 m². Os valores predominantes variam entre R$ 1.500 e R$ 2.000. A garantia mais usada continua sendo o depósito caução (64,5%), bem à frente do seguro fiança (21,1%) e do fiador tradicional (2,6%).
A pesquisa também mostra que 50,6% dos inquilinos migraram para imóveis com aluguel mais barato, enquanto 14,5% optaram por moradias mais caras, o que indica ajustes no padrão de consumo conforme a renda e as prioridades familiares.
O relatório do Creci-SP aponta ainda que o cenário atual deve se manter nos próximos meses. A queda nas vendas pode levar a uma redução nos lançamentos imobiliários, ao passo que a alta nas locações tende a estimular reformas em imóveis usados e a profissionalização dos serviços ligados à administração de aluguéis.
“O setor precisa se adaptar à nova dinâmica. O aluguel se consolida como solução viável para muitos, enquanto a compra exige incentivos e políticas de crédito mais acessíveis”, conclui o relatório.
















