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CEMITÉRIO ISRAELITA DE CUBATÃO É REABERTO COM PEDIDO DE PERDÃO ÀS “POLACAS”


Depois de quase cem anos, o pedido de perdão chegou às mulheres enterradas no Cemitério Israelita de Cubatão – que passou à história do Brasil como o “Cemitério das Polacas”. Durante a cerimônia de reabertura do cemitério, o presidente da Associação Israelita Chevra Kadisha, Mauro Zaitz, ao lado do historiador Nachman Falbel e do rabino Shie Pasternach, num clima de muita emoção, pediu perdão “a estas mulheres injustiçadas”.

A Associação reafirmou que o intuito é abrir as portas do espaço histórico ao menos uma vez por semana para visitação, projeto que será estruturado ainda este ano.

“As polacas” – Atraídas com promessas de emprego e até mesmo de casamento, as judias do leste europeu eram trazidas para o Brasil por traficantes de mulheres – também judeus e também do leste europeu – que as prostituíram. Essas mulheres passaram à história e ficaram conhecidas em todo o Brasil como “as polacas”, porque todas eram muito brancas e loiras. Como trabalhavam no Porto de Santos, eram renegadas pela comunidade da região, a partir de 1924 eram enterrados no Cemitério Israelita de Cubatão, na época, escassamente habitado, longe dos olhares indiscretos e, principalmente, preservando a imagem da comunidade judaica. O último sepultamento foi em 1966.

Mesmo à margem da sociedade, montaram uma associação para cuidado de suas famílias e como eram impedidas de sepultarem os corpos dessas judias em cemitérios nas regiões centrais, adquiriram um terreno no espaço onde hoje está instalada a Refinaria de Cubatão. Tempos depois, com a mudança do cemitério municipal para o local onde está agora, o cemitério israelita foi transferido também e, desde então, ocupa um espaço dentro do Cemitério Municipal de Cubatão, com grandes portões de ferro e o símbolo de Israel, a estrela de Davi. As ações sociais dessas mulheres são fruto de estudos acadêmicos até hoje.

Depois de décadas em estado de total abandono, sofrendo degradação pela ação do tempo e de vândalos, apesar de tombado em 2010 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Cubatão – Condepac, o cemitério foi totalmente restaurado pela Associação Israelita em convênio com a Prefeitura de Cubatão, preservando a importância histórica e cultural das sepulturas feitas em cimento, granito e mármore e suas inscrições em hebraico.